Zilda Arns Neumann

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Zilda Arns

Zilda Arns Neumann (Forquilhinha, 25 de agosto de 1934 — faleceu em Porto Príncipe, Haiti em 12 de janeiro de 2010) foi uma médica, pediatra e sanitarista brasileira. Zilda Arns residia desde jovem em Curitiba (PR).[1] Zilda Arns era avó de dez netos. Ela era um ser humano doce e simples, como poucos. Mas, na sua doçura, fez com que alguns de nós, porque nunca são todos, voltássemos a nos indignar com o que é indigno: o descaso, o desprezo pelo semelhante, fazendo o que pode ser feito, sem alarde, sem escândalo, sem julgamento, sem exagero. Fazer o que é justo, na hora justa, sem paixões exacerbadas e amparado na conduta correta, doce, mas firme.  

Família

O casal brasileiro de origem alemã, Gabriel Arns e Helene Steiner, teve 16 filhos. Zilda, a 13ª criança, nasceu no dia 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha, Santa Catarina. Em 1953, começou a estudar medicina, na UFPR, em entrevista ela disse: "Um professor me reprovou no primeiro ano, bem eu, sempre das primeiras da sala. Ele dizia que era absurdo uma mulher cursar medicina. Mas virei pediatra, justo a matéria dele". No mesmo ano que entrou na faculdade ela começou a cuidar de crianças menores de um ano. Na época, Zilda se impressionou com a grande quantidade de crianças internadas com doenças de fácil prevenção, como diarreia e desidratação. Em 26 de dezembro de 1959, casou-se com Aloísio Bruno Neumann (1931-1978), com quem teve seis filhos: Marcelo (falecido três dias após o parto), Rubens, Nelson, Heloísa, Rogério e Sílvia (que faleceu em 2003 num acidente automobilístico).[2]

Profissão

Formada em medicina pela UFPR, em 1959, aprofundou-se em saúde pública, pediatria e sanitarismo, visando a salvar crianças pobres da mortalidade infantil, da desnutrição e da violência em seu contexto familiar e comunitário. Compreendendo que a educação revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças de fácil prevenção e a marginalidade das crianças, para otimizar a sua ação, desenvolveu uma metodologia própria de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre bíblico da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João (Jo 6,1-15).

A sua prática diária como médica pediatra do Hospital de Crianças César Pernetta, em Curitiba, e, mais tarde, como diretora de Saúde Materno-Infantil da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, teve como suporte teórico as seguintes especializações:

  • Educação em Saúde Materno-Infantil, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP);
  • Saúde Pública para Graduados em Medicina, na Faculdade de Saúde Pública (USP)
  • Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) /Organização Mundial da Saúde (OMS), e Ministério da Saúde
  • Pediatria Social, na Universidade de Antioquia, em Medellín, Colômbia
  • Pediatria, na Sociedade Brasileira de Pediatria
  • Educação Física, na Universidade Federal do Paraná

Pastoral da Criança

Em 1983, a pedido da CNBB, criou a Pastoral da Criança juntamente com o presidente da CNBB, dom Geraldo Majella, Cardeal Agnelo, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, que, à época, era Arcebispo de Londrina. No mesmo ano, deu início à experiência a partir de um projeto-piloto em Florestópolis. Após vinte e cinco anos, a pastoral acompanhou 1 816 261 crianças menores de seis anos e 1 407 743 de famílias pobres em 4 060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 261 962 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres, criando condições para que elas se tornem protagonistas de sua própria transformação social.

Para multiplicar o saber e a solidariedade, foram criados três instrumentos, utilizados a cada mês:

  • Visita domiciliar às famílias
  • Dia do Peso, também chamado de Dia da Celebração da Vida
  • Reunião Mensal para Avaliação e Reflexão

Pastoral da Pessoa Idosa

Em 2004 recebeu da CNBB outra missão semelhante: fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de cem mil idosos são acompanhados mensalmente por doze mil voluntários de 579 municípios de 141 dioceses de 25 estados brasileiros.

Dividia seu tempo entre os compromissos como coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e a participação como representante titular da CNBB no Conselho Nacional de Saúde, e como membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Missão Haiti

Durante o terremoto que devastou o Haiti em 2010, arrebatou Zilda Arns.

Zilda Arns encontrava-se em Porto Príncipe, no Haiti em missão humanitária, para introduzir a Pastoral da Criança no país. No dia 12 de janeiro de 2010, pouco depois de proferir uma palestra para cerca de 15 religiosos de Cuba, o país foi atingido por um violento terremoto. A Dra. Zilda foi uma das vítimas da catástrofe.

Naquele momento ela estava discursando, quando as paredes da igreja desabaram, a médica estava no último parágrafo do discurso, que ela não chegou a terminar, falava da importância de cuidar das crianças "como um bem sagrado", promovendo o respeito a seus direitos e protegendo-os, "tal qual os pássaros cuidam dos seus filhos" 

Reconhecimento

Entre os prêmios internacionais recebidos por Zilda Arns Neumann, merecem destaque:

  • Prêmio Internacional da OPAS em Administração Sanitária, 1994.
  • Prêmio Humanitário 1997 do Lions Club International;
  • Medalha "Simón Bolívar", da Câmara Internacional de Pesquisa e Integração Social, em 2000;
  • Título Companheiro Paul Harris, concedido pela Fundação Rotária de Rotary International, recebeu a Comenda Paul Harris no Rio de Janeiro em 11 de setembro de 2001.
  • Prêmio "Heroína da Saúde Pública das Américas", concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), em 2002;
  • Prêmio Social 2005 da Câmara de Comércio Brasil-Espanha;
  • Prêmio Rei Juan Carlos (Prêmio de Direitos Humanos Rei da Espanha) pela Universidade de Alcalá. Recebeu o prêmio em 24 de janeiro de 2005, das mãos do rei;
  • Opus Prize (EUA), em 2006;
  • Indicada postumamente ao Prêmio Nobel da Paz, em 2011.

Escotismo

No Movimento Escoteiro, Zilda Arns participou ativamente, como escotista do Grupo Escoteiro Jorge Frassati, de Curitiba, onde atuou como Chefe de Lobinhos.

Já na coordenação da Pastoral da Criança, formalizou convênios e desenvolveu várias atividades com a União dos Escoteiros do Brasil.

Tapir de Prata

Agraciada com o Tapir de Prata em 2010, post mortem, a maior Comenda da União dos Escoteiros do Brasil.

Referências

  1. Revista Memória Escoteira do CCME - Ano 3 nr 35 www.ccme.org.br/wp-content/uploads/2023/10/2010-Memoria-Escoteira-35-Janeiro.pdf
  2. Página da Wikipedia https://pt.wikipedia.org/wiki/Zilda_Arns