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Edição das 18h16min de 30 de abril de 2025
Introdução[1]

Desde a vitória da Revolução de 1930, que levou o ditador Getúlio Vargas ao poder pelas armas, o Estado de São Paulo se encontrava em situação de inferioridade em relação à política brasileira, pois o Governo Federal (Vargas) nomeava interventores de sua inteira confiança para dirigir os destinos dos paulistas. O descontentamento acabou ocasionando vários comícios contra o governo federal, realizados na capital paulista com enorme participação popular e discursos inflamados que defendiam o brio do povo bandeirante.
Em 22 de maio de 1932, as manifestações nas ruas de São Paulo contra o governo Vargas tomaram vulto. O ministro da Justiça, Oswaldo Aranha, foi enviado para a capital, para conciliar os interesses de Getúlio Vargas na escolha de um novo secretariado.
A intromissão resultou em violentas manifestações, que conquistaram a adesão de integrantes do Exército e da Força Pública (hoje Polícia Militar). Os secretários nomeados eram de inteira confiança do interventor, o embaixador Pedro de Toledo.
Por meio do MMDC, o movimento paulista conspirou contra Getúlio Vargas. Na noite da sexta-feira, 8 de julho, com os ânimos exaltadíssimos, populares manifestaram-se pela revolução, com a adesão das tropas federais da 2ª Região Militar e da Força Pública.
Na tarde do dia seguinte, 9 de julho, assumiu interinamente o comando das tropas o coronel Euclydes Figueiredo, que recebeu ordens do general Isidoro Dias Lopes, líder da Revolta de 1924. Em poucas horas, o controle pelos revolucionários paulistas era total. O MMDC ocupou a faculdade de Direito do Largo de São Francisco. De lá saiu o primeiro contingente de civis armados, que lutaram ao lado das tropas regulares do Exército e da milícia paulista.
Participação dos Escoteiros

Boy Scouts Paulista e "Escoteiros Ingleses"(Carajás)
Aderindo ao alto espírito cívico que predominava na época, os Boys Scouts Paulistas (hoje Grupo Escoteiro São Paulo - SP/01) se atira, de corpo e alma, no serviço à comunidade paulista. Além de executar tarefas na cidade, decide mandar para o fronte de batalha seus chefes escoteiros maiores de 15 anos para servir nos hospitais de sangue, junto à Cruz Vermelha Brasileira. Somente para se ter uma idéia do trabalho realizado na ocasião, segue abaixo um trecho do prefácio da segunda edição do livro preparado pelo Chefe João Mós que narra em detalhes a partição da Boy Scouts Paulistas durante a Revolução.
“As equipes da Cruz Vermelha, com suas divisões de especialistas em transportes, abastecimento, farmácia, medicina de campanha, etc.; gente de escol e altamente qualificada, como provaram do começo ao fim, julgaram aqueles meninos de calções curtos um estorvo”. Todos pensaram assim, alguns mais francos disseram. Essa situação durou uma semana. Mais uma semana e passamos a ser tolerados para, em seguida, sermos considerados indispensáveis. Prova-o a ordem emanada da Chefia da Cruz Vermelha em campanha, de que todos os núcleos a serem implantados deveriam incluir escoteiros. O trabalho notável da Cruz Vermelha se caracterizaria dali por diante, em todos os setores, pela participação escoteira. Nos hospitais de base preenchiam todos os claros guiando ambulâncias, providenciando abastecimento, trabalhando no preparo de medicamentos, assistindo aos feridos. Cada posto avançado da Cruz Vermelha compreendia tipicamente um médico, um enfermeiro e um escoteiro."
"....Som surdo do troar dos canhões e das granadas que passam sibilando. Ambulância geme nos freios diante do hospital de campanha, trazendo mais feridos. Na sala de operações a ansiedade é geral e os olhos dos presentes vão do ferido que está sendo atendido com parada cardíaca ao teto, pois todos temem que a próxima pode cair aqui. O cheiro do clorofórmio entorpece. As mãos tremem. E como conseqüência algumas coisas não são mais feitas da maneira ortodoxa. Quando o nervosismo parecia atingir a todos o cirurgião baixou a máscara que tinha sobre a boca e, como voz pausada e firme, disse: “Senhores, parece que o único que tem calma aqui é o escoteiro.”
O relato da saga dos Escoteiros da Revolução de 1932 foi tratado no livreto escrito por João Mós (foto ao lado).

Diploma de Serviços de Guerra - Jimmy Macintyre
Em outubro de 1932, os Boy Scouts Paulistas homenagearam Jimmy Macintyre com o Diploma Serviços de Guerra (foto ao lado) com os seguinte texto:
"Considerando os serviços prestados durante a campanha constitucionalista junto aos postos da Cruz Vermelha Brasileira, pelo "Scoutmaster" J.C.Macintyre nos setores Norte e Oeste a Boy Scouts Paulistas lhe confere o presente diploma, para os devidos effeitos, inclusive de autorizar o uso do correspondente distinctivo no. 11. São Paulo, outubro de 1932 . Assinado Presidente [ilegível] e Director Técnico - Rodolfo Malempré.
Reconhecimento de Baden-Powell
A bravura, heroísmo e eficiência desses jovens recebeu os mais altos elogios da sociedade, inclusive internacionais e do próprio fundador, Lord Baden-Powell.
Jovem Escoteiro ALDO CHIORATTO
Em um desses ataques, logo pela manhã do dia 18 de setembro de 1932, uma série de estilhaços - 13 ao todo - atinge o bravo escoteiro que, ferido mortalmente, não abandona seu bornal de mensageiro. Ele estava entregando correspondência e o local, segundo levantamento feito por Chico Marcondes, foi o corredor de uma residência no centro próximo à estação da estrada de ferro Cia Mogiana e Paulista. O jovem Aldo Chioratto não resiste a tão forte agressão ao seu frágil, mas valente corpo e vem a falecer em virtude dos ferimentos. Aldo Chioratto era escoteiro na cidade de Campinas, é para o escotismo paulista, o protótipo do escoteiro. É, na realidade, a personificação do segundo mandamento da lei escoteira – “o Escoteiro é leal”; foi leal no cumprimento os seus deveres, foi leal aos princípios e à necessidade de ser responsável, mesmo que isso lhe custasse a própria vida.
Os restos mortais de Aldo repousam hoje no Mausoléu Constitucionalista, ao lado de outros tantos heróis dessa epopéia. Única criança a transpor o altar e as portas da glória. Sua memória permanece indelével em nossos corações e, como um símbolo iluminado em nosso caminho, brilha para Sempre... Alerta até a Eternidade.
Outras entidades
Uma informação importante que muitas vezes geram dúvidas é sobre as entidades escoteiras que participaram durante a revolução. Além da Boy Scouts Paulistas, houveram participantes pertencentes a Cruzada Escoteira, entidade ligadas a Grupos Escolares que praticavam uma iniciativa de escotismo, não completa mas que se assimilava em muitos aspectos ao escotismo reconhecido pela comunidade global. Apesar da fundação da UEB em 1924, muitas iniciativas escoteiras caminharam de forma paralela durante os primeiros anos de vida do Escotismo no Brasil.[2]
Desfile Cívico em Homenagem aos Combatentes de 1932
Anualmente, o Desfile Cívico-Militar de 9 de julho em São Paulo comemora o aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, que teve início nesse dia. O desfile ocorre no Parque Ibirapuera, com foco no Obelisco, que é um mausoléu aos heróis da revolução. A data é um feriado estadual em São Paulo e é comemorada com uma série de eventos, incluindo o desfile, que tradicionalmente conta com a participação de forças militares e civis, dentre eles os Escoteiros de São Paulo.

Referencias
- ↑ Assembleia Legislativa Estado de São Paulo https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=358013
- ↑ Grupo Escoteiro São Paulo: http://anterior.gesp.com.br/index.php/museu-virtual/fatos-de-destaque/revolucao-1932